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'Minha mãe matou o meu pai com um martelo, mas eu quero que ela seja libertada'


Agora, porém, seus advogados utilizarão uma nova lei britânica, que reconhece a manipulação psicológica (ou "controle coercitivo") como uma forma de abuso doméstico, para tentar libertar Sally, em uma audiência judicial prevista para fevereiro. E seu filho David saiu em apoio da mãe, defendendo sua liberdade e afirmando que ela havia sofrido anos de abuso por parte do pai.

Se a estratégia dos advogados for bem-sucedida, será histórica e pode abrir precedentes na Justiça do Reino Unido.

David Challen
David Challen afirma que a mãe sofreu anos de abuso e manipulação psicológica durante os 30 anos de casamento com o pai( Arquivo Pessoal)

Sally e Richard
Sally e Richard em seu casamento, em 1979; filho diz que ela vivia 'presa' ao marido ( Arquivo Pessoal)


O filho conta que Richard era controlador desde quando conheceu Sally, quando ela tinha 15 anos e ele, 22.

O pai frequentemente "mantinha casos com outras mulheres e ia a bordéis", prossegue o filho. E se fosse confrontado a respeito, dizia: "'Sally, você está louca'. Era como um mantra dele."

"Havia uma panela de pressão. (...) O mundo dela revolvia ao redor do dele, e ele sabia disso - sabia que ela estava presa". "Meu pai e o modo como ele se comportava eram as únicas referências que ela tinha", tem dito David em diversas entrevistas à imprensa britânica, em meio a sua campanha pela libertação da mãe.

David conta que a família era regida por regras rígidas, sobretudo Sally.

"Ele não gostava que a minha mãe tivesse qualquer independência em termos de amigos; apenas amigos que eles tivessem juntos. Era controle total."
Insultos

Se ela fizesse algo que o desagradasse, Richard determinava que ela só poderia usar o carro para ir trabalhar - uma vez que o trabalho dela é que sustentava a família. Vizinhos dizem que Richard tratava a mulher como uma propriedade.

E Sally era insultada pelo marido por supostamente estar acima do peso. "Era algo que eu e meu irmão ouvíamos o tempo todo", diz David. "(Falava) não só diante de nós, mas diante de amigos também."

Durante o julgamento, Sally foi retratada como uma mulher que atacou Richard em um ataque de fúria, depois de descobrir que ele havia telefonado para uma namorada. Mas David acha que a mãe estava fora de si naquele momento.

"Ela pegou um martelo e matou meu pai. Reconheço que isso aconteceu, mas temos que reconhecer os efeitos do controle psicológico. Não sei por que ela levou aquele machado. Nem ela entende por quê", diz ele.

Ele afirma, ainda, que a mãe ainda diz amar o pai - algo que ele e o irmão "não conseguem entender".

"Não sei como interpretar isso. Meu pai nem está mais vivo e ainda exerce controle sobre ela."

Sua esperança é de que o recurso de Sally seja capaz de "reconhecer o abuso mental (a que ela foi submetida) e o que ela sofreu na vida".

"A questão não é que ela era uma esposa ciumenta", argumenta ele. "Ela foi manipulada psicologicamente toda a vida dela, presa por esse homem, o meu pai. Ela merece seu direito à liberdade. Merece que seu abuso seja reconhecido."


David Challen com a mãe, na infância
David Challen com a mãe, na infância; 'ela merece que o abuso (a que foi submetida) seja reconhecido', diz ele ( Arquivo Pessoal)

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